A Paz do Senhor aos amados amigos blogueiros e leitores do Prossigo para o Alvo.
É sempre uma satisfação retomar o teclado – tenho andado em falta com o blog – para adentrar a este ambiente tão salutar e importante que se tornou a blogosfera cristã. Pena ter que fazê-lo agora, em um momento um pouco conturbado. Dá a impressão de que esteja sendo oportunista. Mas quem me conhece sabe que não sou.
Louvo a Deus ao ver que superamos o indigesto momento político que tão de perto nos rodeava e que, conformados ou não, já podemos deixar de lado as bandeiras VERDES, AZUIS E VERMELHAS, para arvorarmos o estandarte do EVANGELHO, ocupando-nos assim daquilo que sabemos fazer melhor: pregar, aprender, defender e até discutir a Palavra de Deus em franca arena. Isto sim vale à pena!
Sobre o ferrenho – mas volto a dizer: salutar – debate que ora se trava sobre a “dupla natureza” de Cristo – ainda que não goste muito dessa definição –, tive o prazer de trocar algumas palavras por quase uma hora este final de semana com o preclaro amigo Pr. Newton Carpintero (The Big Man), a quem tenho em grande estima e por quem – conquanto divirja dele em alguns pontos – conservo grande admiração e respeito como um genuíno e autêntico homem de DEUS.
Sabedor, no entanto, da pouca contribuição que posso trazer a tão embasado debate, no qual grandes teólogos têm sido citados de uma e de outra parte – alguns dos quais nunca sequer ouvi falar –, vou me limitar a pontuar apenas aquilo sobre o qual tenho firmadas minhas convicções sem, contudo, desconsiderar o pensamento adverso.
Antes, porém, gostaria de trazer um alerta e até fazer um apelo aos amigos – tantos quanto puderem – que nos respeitemos um pouco mais e nos posicionemos, na medida do possível, com mais cordialidade, posto que somos hoje a vitrine do evangelho e o mundo de fato está atento às nossas discussões. Portanto, da forma e da postura como debatermos e defendermos nossas convicções, dependerá a revitalização da imagem há muito maculada dos “evangélicos” destas terras “tupiniquins”.
Mas voltando ao cerne da questão:
1) De fato a Bíblia não diz que Jesus tenha sido 100% Deus e 100% homem. Nisto o Pr. Ciro Zibordi está 100% certo, e não creio, como andam dizendo por aí, que tal afirmação constitua de per si uma heresia. Absolutamente!
No entanto, sou levado a crer que não tenha sido a intenção dele apenas levantar a questão “linguistica da coisa”, dada a relevância do tema. Neste caso seria como jogar pedras em uma casa de abelhas e depois sair correndo. Não, não é do feitio do Pr. Ciro agir assim de forma covarde e irresponsável.
A bem da verdade, a Bíblia em nenhum momento utiliza a expressão “cem por cento” para nada, nem mesmo na parábola do semeador – como alguns afirmam. Neste caso, se quiséssemos ser mais precisos – matematicamente falando – teríamos que dizer que a semente que caiu em boa terra produziu a 3.000%, 6.000% e 10.000%. (Ver Mateus 13:8, 23; Marcos 4:8, 20; Lucas 8:8).
Não obstante, e conquanto concorde ser de suma importância que PREGADORES EVITEM ERROS dessa natureza, os quais podem provocar dubiedade de interpretação e aí sim, levar o leitor ou estudioso pelo caminho das heresias, há alguns temas que quando abordados carecem de um cuidado todo especial, sobretudo quando ventilados em franca arena, como na blogosfera, por onde transitam neófitos, incautos, “estrelas de plantão” e até alguns “terroristas” adeptos de teorias da conspiração.
Nesse sentido, precisamos ter um pouco mais de cuidado e prudência. Não que o Pr. Ciro Zibordi não tenha tido, mas o que se viu depois disso causa-me certo espanto.
Bom é saber que em meio às turbulências, e no calor do debate temos sempre homens de DEUS prontos para fazer luzir o entendimento de jovens obreiros como eu.
2) Quanto à natureza divina de Jesus quero crer que haja aqui um consenso entre os debatedores – Glória a Deus por isso. A Bíblia está “recheada” de passagens que nos asseguram ser o Cristo O Filho de Deus (João 1:34; 1Jo 5:5); O Verbo (João 1:1, 14; Ap. 19:13); O Princípio (João 1:2; Cl. 1:17-18; Ap. 3:14); O que É, O que Era, O que há de Vir (Ap. 1:4); O Eterno (Salmo 10:16; 145:13); O Criador (Cl. 1:17), O Cabeça (Ef. 1:22); O Alfa e o Ômega, O Todo-Poderoso (Ap. 1:8); O Ressurreto (Ap. 2:8)... Logo: “100% Deus”.
3) Já sobre a natureza humana de Jesus, conquanto não haja unanimidade quanto ao quantum de humanidade houvesse n'Ele, de igual forma a Bíblia nos dá inúmeras referências que asseguram ter sido o Cristo O Filho do Homem (Mt. 12:8; 18:11; Mc. 2:28; Lc. 17:26; Jo. 12:34); O Bebê da manjedoura (Is. 9:6; Lc. 2:12, 16); O Nascido de mulher (Mt. 1:18; 2:2, 11; Lc.2:7, 11, 26), A Criança perseguida (Mt 2:12-14); O Menino entre meninos (Lc 2:42-44), O Tentado (Mt. 4:1; Lc. 4:1)... O que teve fome, teve sede, sentiu sono, sentiu dor, sangrou, agonizou, morreu... Por assim dizer: “100% homem”.
Ao discutir com o amigo Pr. Newton sobre a questão da humanidade de Jesus, nos debruçamos sobre o fato de que sendo Ele Deus “jamais” poderia se permitir sentir os mesmos desejos “100% carnais” – logo pecaminosos – a que estamos sujeitos nós homens-pecadores.
A questão, no entanto, a meu ver, não deve ser posta sob o prisma da humanidade “pós queda”, posto que não somos paradigmas para aquele Jesus “100% homem perfeito”.
Nesse sentido, minha argumentação quanto à possibilidade de que em Jesus habitasse a plenitude da perfeita humanidade, tanto quanto da divindade, é a de que, sendo Adão o primeiro dentre os homens – não gerado pela vontade da carne, mas sendo feito à imagem e semelhança de Jesus (Criador) – conservava em si a perfeição no tocante a sua humanidade. “E viu Deus tudo o que tinha feito, e era muito bom” (Gn.1:31).
Ora, se considerarmos que Adão pecou pelo “simples” fato de ser homem, e que isto nada mais era do que consequencia da imperfeição inerente a sua humanidade, teremos que considerar também que DEUS assim o fez: imperfeito: contrariando o texto bíblico supra mencionado.
A esta altura é importante lembrarmos também de Satanás, o qual não sendo feito a semelhança de homem – este feito um pouco menor que aquele – tampouco de DEUS, de igual forma se permitiu errar o alvo, pecando contra o ETERNO quando tudo ainda era perfeito e o pecado sequer existia.
Na verdade, a imperfeição ou a natureza pecaminosa do homem é uma consequencia nata daqueles que descendem do homem Adão “destituído da glória de Deus”:
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23).
Daí podermos considerar que Adão tenha desfrutado sim tanto da plenitude da humanidade perfeita, dotada de livre arbítrio para agradar e glorificar O Criador, quanto da humanidade imperfeita, decadente e condenada à morte em decorrência da desobediência.
Qualquer que seja a conclusão, teríamos que afirmar que o Adão “pré queda” foi tão 100% homem quanto o “pós queda”. Uma questão puramente de semântica.
No que se refere à pessoa de Cristo, por sua vez, e consequentemente à sua “dupla natureza”, temos de considerar além dos seus atributos, as circunstâncias que envolveram o seu nascimento, o propósito da sua vinda, a sua existência entre os homens, a sua morte, a sua ressurreição etc.
Como vimos acima, é plenamente aceitável que n'Ele habitasse tanto a plenitude da divindade – como de fato habita (Cl.1:15-22; 2:9) – quanto a plenitude da humanidade; esta, porém, não resultante da descendência caótica e decadente do velho Adão, mas em decorrência da vontade soberana do ETERNO pela concepção do Espírito Santo.
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2:9)
O apóstolo João – maior combatente do gnosticismo de sua época –, talvez tenha sido o que melhor compreendeu a “coabitação” das duas naturezas de Cristo ao defender tanto no evangelho, quanto em suas epístolas, a deidade de Cristo corporificada no homem Jesus:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:1-3; 14)
“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” (1Jo 1:1-3)
As palavras de João parecem fluir em sua escrita com um misto de euforia, de alegria, de glória, de adoração. A cada “penada” é como se estivesse revivendo os abraços, as palavras ao ouvido, a suavidade das mãos, o suor do rosto daquele homem.
Isaías em suas profecias messiânicas escreve:
“Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.” (Is. 53:3).
Paulo em suas admoestações ao jovem pastor Timóteo é categórico ao dizer:
“... Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.” (1Tm 2:3b-5)
Teríamos ainda aos Colossenses:
“O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Cl. 1:26-28);
Ou aos Efésios:
“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef. 4:13);
Mas ainda assim nos faltaria tempo para discorrer melhor sobre cada uma dessas referências.
Certo é – e aqui concluo minha participação por ora neste debate –, que esta tem sido para mim uma leitura e uma tarefa mui prazerosa. Nada como nos debruçarmos um dia para buscarmos de DEUS conhecimento acerca da sua natureza, de seus atributos, de sua existência...
Um exercício e tanto!
Espero que o prezado leitor tenha desfrutado 100% do texto, com os mesmos 100% de prazer que senti ao escrever.
N’Ele,
Prossigo (100%) para o Alvo... Fp. 3:14












